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terça-feira, 27 de outubro de 2020

 

Úrsula, 

de Maria Firmina dos Reis - Resumo capítulo a capítulo.



Capítulo 1

                Inicia-se por uma exaustiva descrição da natureza, ambiente por onde vai cavalgando, de manhã, um mancebo cansado e triste, melancólico, vestindo um capote de algodão. Seu cavalo, cansado e lento, cai morto e, assim, o mancebo também cai e o cavalo fica por cima do pé do rapaz.

                Um homem à procura de água, vem cavalgando por ali e encontra o mancebo caído sob o cavalo. O homem tem 25 anos, e com a “nobreza de um coração bem formado”, escravizado, negro, muito generoso, “porque Deus o quis infeliz e virtuoso”. O negro, que se chama Tulio, cuida do mancebo, dando-lhe água, mas ele acorda e dorme outra vez. Ele levantou-se mas caiu sobre Túlio, neste momento se falaram e o mancebo lhe reconhece a bondade e a caridade, mas desmaiou de novo de febre, mas assim mesmo Tulio lhe pede autorização para levá-lo à casa de Luiza B., que é paralítica e que mora apenas com sua filha (linda). São boas senhoras, segundo ele.

                O mancebo pergunta-lhe o que Tulio quer por ter-lhe salvado a vida e Tulio pede apenas reconhecimento por sua atitude. Então, Tulio o leva e, na porta da casa da velha senhora, ele desmaia profundamente – letargia.

 Capítulo 2

                O jovem está deitado e em delírio profundo: “Eu a amei! Não, não a amei...”

                A filha de Luiza B., chamada Úrsula, “tão bela, tão caridosa, tanta compaixão lhe inspirava o sofrimento alheio”, cuidava da mãe e agora dele. Não dormiu nesta noite para cuidar de ambos, com Tulio à cabeceira dele, que recomeça o delírio: “Adelaide, Adelaide!”.

                Úrsula, considerando e refletindo o delírio do rapaz, acha que nunca vai amar, quando ele acorda e conversa com ela, agradecendo-lhe e ela a dizer que não precisa, não merece ser agradecida e chora e a lágrima, como pérola, cai na mão do doente, mas ele não viu porque desmaiou outra vez.

 Capítulo 3

                O jovem melhora gradativamente e já fala em partir. Dá dinheiro para Tulio comprar sua alforria. O mancebo melhora e precisa ir embora e falar com Úrsula, para despedir-se, agradecer-lhe, mas ela foge dele.

Úrsula, quando amanhecia, saía todos os dias para conversar com a natureza e com Deus, o que lhe aliviava de sua vida de cuidadora da mãe e de sua vida vazia.

Uma madrugada, porém, antes de o mancebo melhorar completamente, de repente, ela sai sozinha como sempre, ele a segue e, aos pés de um majestoso jatobá, declara a ela amor eterno e ela a ele. Eles falam na mulher dos delírios, Adelaide, e ele garante a Úrsula que ela passou, mas que lhe quer contar tudo, sua vida pregressa (o que se dá no capítulo seguinte), naquela madrugada mesmo.

 Capítulo 4 (flashback)

                Começa-lhe a contar a história. Aparece Adelaide, órfã de mãe e pai, filha de uma prima da mãe do Mancebo, de quem enfim descobrimos o nome: Tancredo. Adelaide mora na casa dele porque sua mãe cuida da prima Adelaide por serem parentes próximas. A mãe de Tancredo está triste, doente, mas fica feliz quando Tancredo volta (no flashback), quando ele conhece a prima, e o pai abraça-lhe orgulhoso. Tancredo, contando a Úrsula, diz que deve ter deixado passado algum olhar a Adelaide porque ela ruborizou ao vê-lo. Ele apenas a viu e adivinhou ter que amá-la. Neste capítulo aparece o patriarcalismo do pai e a obediência da mãe de Tancredo.

                A mãe dele lhe diz que Adelaide é pobre. Tancredo diz que ela é ambiciosa. A mãe lhe diz que amar Adelaide vai amargurar-lhe a vida. Ele insiste, a mãe o entende e concorda e vai falar com o pai, que arrogante, prepotente e sarcástico, humilha a mãe e nega Adelaide ao filho, Tancredo, que ouve toda a conversa no quarto ao lado.

 Capítulo 5

                Choram a negação do pai, Adelaide diz amar Tancredo, que sai para falar com o pai. Tancredo diz: “agora” sei que era mentira (porque ele está em flashback). O pai então lhe concede a permissão, mas pede a condição de esperar um ano, ao que se Tancredo se opõe, mas acaba aceitando. O pai lhe consegue um trabalho longe e seu pai ia lhe dizer o que fez e quem era o pai de Adelaide, mas Tancredo o interrompe e diz não querer saber. A discussão mostra o pai mais calmo, mas sempre superior e prepotente.

Capítulo 6

                Despede-se da mãe, que pressente ser a última vez que se veem. Ainda em flashback.

 Capítulo 7

                Tancredo se lembra como foi na cidade onde seu pai lhe arrumou uma posição. Quando estava lá, recebe cartas dos pais e de Adelaide. As da mãe sempre lindas e amorosas; as do pai sempre secas e breves, e as de Adelaide vão diminuindo em frequência cada vez mais. Lá nessa cidade, ele adoeceu gravemente e, quando melhorou, foi transferido para outra cidade, tendo que desistir de ir ver sua mãe e Adelaide. Ele é transferido ainda outra vez, mas agora de volta à mesma cidade onde trabalhava anteriormente e quando lá chega, fica sabendo que sua mãe havia morrido e, por isso, adoece de novo de tristeza.

                Quando recuperou-se um pouco mais, mas ainda estando sofrendo de tristeza e de saudade, foi à sua casa encontrar Adelaide... mas agora Adelaide estava casada com o pai dele! Adelaide é impassível mesmo ele lhe falando horrores! O pai dele entra, eles discutem, o pai respira com dificuldade, passando mal, lhe fala horrores e mais horrores a Adelaide, amaldiçoando-a.

                Termina o capítulo dizendo a Úrsula que esta é a história dele e ela lhe dá a mão. Fim do flashback.

 Capítulo 8

                Como era madrugada quando Úrsula saiu de casa e encontrou Tancredo e ele lhe conta 4 capítulos, quando ela volta para casa já é então manhã avançada e a mãe sente sua falta. Tancredo vem se despedir e Luiza B. vai lhe contar sua história e lhes diz que ela, Luiza, é irmã de um comendador, o comendador F. de P.

                O comendador a odeia por causa de seu casamento com Paulo B., que era pobre e de uma classe diferente da dos irmãos Luiza e comendador. Seu marido foi um péssimo marido, gastando a fortuna de Luiza e lhe sendo infiel. Foi assassinado quando Úrsula era bebê.

                Ao fim dessa conversa, quando Tancredo diz que quer se casar com Úrsula, Luiza B. desmaia, mas quando acorda diz que eles são primos, mas mesmo assim o casal ainda se quer e, apesar de tudo, a senhora os abençoa.

 Capítulo 9

                Tulio se despede de sua mãe de criação, Suzana, que lhe conta como era sua vida antes de ser escravizada. Este capítulo é muito importante nessa obra porque é o discurso do ponto de vista de uma escravizada sobre a escravidão. Recomenda-se a leitura. Suzana abençoa Tulio e lhe diz que ele agora é livre e pode seguir a vida que quiser.

 Capítulo 10

                Tancredo está indo embora com Tulio, voltando para a cidade onde ele tem trabalho, e Úrsula está arrasada despedindo-se dele. Ele vai embora e ela vai para a mata se consolar com a natureza como ela sempre faz. Então aparece um homem, desconhecido para ela, e armado para caçar. Ela não o reconhece e ele diz que não tenha medo porque ele é amigo da mãe dela. Ele a chama pelo nome, mas não se apresenta, e ainda diz ser apaixonado por ela, mas ela lhe é desdenhosa e indiferente (claro), e tem medo dele. Ele segura-a, ela se desvencilha dele e corre para casa. Ele então fica esbravejando e praguejando sozinho contra ela e se apresenta: é o irmão da mãe de Úrsula, o comendador F. de P., Fernando de P., e ainda a ameaça: ou ela será dela ou ela morrerá!

 Capítulo 11

                Úrsula fica pensando, se lamuriando, incomodada com a presença do tal homem, dorme, sonha, acorda, vai se deitar no colo da mãe, que está doente. Passa-se um tempinho e vem uma carta do irmão (o comendador, que Úrsula não sabe quem é), pedindo-lhe um encontro. Mais um tempinho depois, ele vem sem avisar, Úrsula ouve sua voz e reconhece o caçador de dias atrás e vai para a mata ficar lá enquanto a mãe conversa com ele, mas Suzana vem chamá-la porque a mãe está morrendo e quer lhe dar o último “ósculo”...

 Capítulo 12

                Úrsula então volta para casa e a mãe está morrendo na cama, ela lhe fala que o comendador matou o pai dela, Paulo B., e que ele foi à cidadezinha próxima buscar o padre para casá-los, o comendador e Úrsula, que se desespera. A mãe lhe diz que fuja e em seguida morre. Foi enterrada no cemitério de Santa Cruz.

 Capítulo 13

                Úrsula está no cemitério, chorando sobre a sepultura da mãe. O narrador se refere com muita ênfase ao estado de tristeza da menina e Tancredo volta com Tulio e a encontra no cemitério, desmaiada sobre o túmulo. Úrsula acorda e o capítulo acaba com eles rezando por Luiza B.

 Capítulo 14

                Flashback: O narrador volta à estrada no caminho de Tancredo e Tulio para Santa Cruz. Fernando está a mais de uma légua distante dos dois e Tulio vem falando sobre onde nasceu, nas terras de Fernando, como sua mãe foi embora e como e porque ele ficou com Suzana. Chegaram à casa de Úrsula e, não a encontrando pois estava no cemitério, Suzana lhes diz onde encontrá-la, então tocaram para lá.

 Capítulo 15

                Do cemitério seguem a um convento, onde pretendem se casar. Ali Tancredo e Úrsula noivam e Tancredo tem pensamentos sobre a sua futura mulher, idealizando-a ao gosto romântico.

 Capítulo 16

                Então o comendador Fernando vem daquela 1 légua e meia de atraso, voltando com os papéis para casar-se com Úrsula. Chegando em casa, procura pelo padre, que não está porque tinha saído para consolar a menina – todos se desencontram. O comendador sai para buscá-lo e o encontra na estrada, quando o padre lhe diz da morte da irmã e chegam à casa dela. Úrsula não está, já sabemos, mas Suzana sim e lhe diz que a menina está no cemitério, como de fato estava. Quando Fernando e o padre chegam lá, ela já tinha ido embora e já estava no convento com Tancredo.

                Fernando com raiva de Suzana, volta para sua casa e com raiva dela manda que o feitor traga dois negros para amarrá-la num cavalo, viva, para torturá-la e ela dizer-lhe a verdade. Ainda, mesmo sendo noite, manda os escravos voltarem para o trabalho. O feitor se nega a fazer o que ele lhe mandou, se demite e ainda tenta avisar a Suzana sobre o que a espera, mas ela diz a ele que não vai fugir porque é inocente. Fernando manda prender Úrsula e está prestes a sair, depois de praguejar e esbravejar muito e muito contra o padre, que está tentando convencê-lo de não ir buscar Tancredo, Tulio e Úrsula para matá-los. Em vão, ele está decidido. O capítulo acaba com Fernando dizendo que o padre é seu prisioneiro e com o padre xingando Fernando de assassino, mas Fernando está para sair sem lhe dar atenção.

 Capítulo 17

             Tancredo e Úrsula vão se casar (vestida de preto!), mas Tancredo estranha o sumiço de Tulio, que foi raptado por Fernando e estão ambos numa casinha suja e escura com o comendador lhe perguntando sobre Tancredo, mas Tulio não fala nada, claro. Com muito ódio, manda entregarem Tulio a Antero.

 Capítulo 18

                Antero (também escravizado) é o guardião da casa onde está preso Tulio. Antero é alcoólatra e Tulio enganando-o lhe dá dinheiro para comprar bebida. Ele sai, compra, mas bebe em casa, fica bêbado e Tulio então foge. No caminho da fuga encontra o padre, que diz que o casal está na igreja. Tulio corre para lá para salvar e avisar Tancredo que o comendador quer matar Tancredo e se casar com Úrsula. Porém, na porta da igreja, antes de falar com Tancredo, é assassinado por Fernando, que em seguida chega à carruagem dos noivos. Tancredo e Fernando lutam, mas os capangas do comendador seguram Tancredo e Fernando atira no rival. Sangrando, Tancredo dá seu primeiro, único e último beijo em Úrsula. Tancredo morreu.

 Capítulo 19

                Fernando e Úrsula estão em casa. Fernando está péssimo, arrependido de tudo o que fez, cheio de remorsos, e Úrsula está no quarto delirando, porque enlouqueceu.

 Capítulo 20

                Suzana está sendo enterrada (morreu porque foi torturada) e o padre está falando muita coisa, algo como “Eu te disse, eu te disse!” para Fernando, arruinado em remorsos. O padre leva o comendador ao quarto de Úrsula, que está em delírios de loucura e, repetindo algumas coisas ditas na hora em que Tancredo morreu, morre também...

 Capítulo 21 – epílogo

              Fernando vai interno num seminário, virando noviço e morre segurando um crucifixo, depois de se arrepender de seus pecados, atormentado pelo que lhe disse o frei que o acompanhava no seminário: “Você vai para o inferno!”.

                Adelaide ficou viúva, casou de novo e seu segundo marido a desdenhava.

                No altar da igreja há uma lápide onde se lê: “Orai pela pobre Úrsula!”.


                                                        Fernando Medeiros é professor de Literatura.

 

domingo, 3 de abril de 2011

O Desejo de Álvares de Azevedo



 O Meu Desejo
            
Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta....

Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra....
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra....

Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escomilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro....

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de languor!
            
            Álvares de Azevedo, em sua poesia "O Meu Desejo", joga com uma carga semântica e simbólica voltada ao sensual, como lhe costuma ser característico.
O poema conta com dois ambientes, dos quais, um deles representa uma festa (onde observa uma dama) e, o outro, o quarto dela, que, segundo parece, representam ambiente público e particular.
O primeiro ambiente é onde está, dança e se diverte uma dama. Por essa dama, o eu lírico nutre um desejo mesmo sexual, pois a simbologia e a semântica do vocabulário escolhido revelam tal desejo, principalmente tendo em vista a carga simbólica encerrada nas palavras luva e sapatinho, que, como tradicionalmente se observa, trazem o erótico em si: tudo o que se calça ou o que se veste, neste movimento repetitivo, em literatura, pode revelar o valor sexual implícito. Entretanto, por ela, a quem rende desejos sexuais, o eu poemático guarda uma distância porque, quando praticamente em todo o poema se lê sobre o que observa o eu lírico e não sobre o que põe em prática, sente saudades e estas são as saudades que tem aqui na terra... 


 
O segundo ambiente, o quarto dessa dama, traduz sua intimidade, já que se lhe entende, conforme se observa na poesia, como o lugar onde se despe, se deita e se mira no espelho com as graças nuas. Pelo levantamento léxico, para se comprovar tal intimidade do aposento, lemos os mistérios de teu leito, como se o leito, personificado, guardasse tudo o que visse e o que se lhe confessa. Ainda por tal levantamento,  percebe-se, neste ambiente um halo de velamento, de impossibilidade de realização do amor porque, o desejo do eu lírico é ser tudo o que está em volta, que, se a toca, o faz levemente, ou se não a toca, se mantém distante, deixando numa evidente posição de velador, observador do corpo, das graças e do sossego de quem ama, privilegiando somente seus sentidos visual e olfativo e seus desejos, o que confere a este amor uma carga puramente sensual por não haver o contato físico carnal.
O que, a esta altura da leitura, pode-se entender como certa inversão de valores  que se dá a partir do amor que se observa subordinado às ambientações. Assim: esperaria-se que, em princípio, lá no baile, o eu lírico sentisse pela dama um amor sensual, despertado pelos sentidos, principalmente pela visão, pelo olfato e pelo tato. Depois, numa esfera mais particular, mais íntima, se percebesse o sexual, pois que, então, na intimidade do leito a liberdade entre eles pudesse levá-los a isto.
Entretanto, como dito, se observa o contrário, e assim pode-se  notar que o eu lírico talvez entenda, lá no baile, o sexual como pulsão, como atração momentânea, que logo passa e que se pode associar então ao arrebatamento do que ele próprio repete seis vezes: o meu desejo. É este o Álvares de Azevedo: o que se lhe revela carnal não passa de um desejo, fruto de sua imaginação.
E, da mesma, forma se pode ver talvez que, quando da intimidade, o sexo lhe fosse propício, surge em cena o amor, que no entendimento do poeta talvez seja aquele mesmo de guarda, de velamento, aquele que somente estando próximo ou estando a  observar, oferecendo-lhe no máximo um abraço ou um acolhimento junto ao peito satisfaça seu desejo, agora sensual, nutrido por aquela dama angelical e pura, que dorme calmamente enquanto, ou porque, ele a vela. 
. 


 
E talvez esse amor sensual, numa ampliação da leitura, subordinado à ambientação da intimidade, seja a forma mais interna, e por isso sincera, de amar, porque ele se passa no interior do leito e a interiorização de um ambiente, como a interiorização de seu sentimento, que livre dos olhares curiosos ou reprovadores do público, não precise ser o sexual como se espera socialmente, bastando-llhe a ternura da companhia e da maciez do colo e do leito. Talvez, e além disso, seja este o amor mais importante, porque é para ele que se dedica a maior parte formal do poema, quatro das seis estrofes.
Desta forma, o que também se pode depreender da leitura do poema é que o amor sincero do eu lírico não corresponde ao que se esperaria do sentimento, enquanto valor social, porque livre dessas amarras, bem ao gosto romântico, o amor é ideal, pela mulher ideal, em que, em sua intimidade e velamento, é verdadeiro e, por isso, eterno, e por uma perspectiva de individualização romântica, vê-se o eu lírico guardando e velando sua amada sem expô-la aos valores aos quais ele se opõe conscientemente.


Texto originalmente apresentado na disciplina de Romantismo Português (sim!) na Universidade de Brasília - UnB.
Fernando Medeiros é professor de Literatura.